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“Se você quer melhorar o mundo, comece fazendo com que as pessoas se sintam mais seguras”
Stephen Porges

PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO
DA TEORIA POLIVAGAL

SNA_Figura_3.png

Embora a definição de estresse nas pesquisas sobre estresse se concentre no papel do sistema nervoso simpático, na perspectiva da teoria polivagal, o sistema nervoso parassimpático, especialmente as interações do nervo vago, é entendido como um modulador da suscetibilidade ao estresse. Nesta teoria propõe-se que o sistema vagal não representa uma dimensão unificada, mas é formado por dois sistemas vagais com origens diferentes no tronco cerebral. Estes são, por um lado, o circuito vagal amielínico, que surge do núcleo motor dorsal, e, por outro lado, o circuito vagal mielinizado, que surge do núcleo ambíguo. O nome Polivagal aborda o foco desta teoria – portanto, às diferentes funções destes dois circuitos vagais.

 

De acordo com as descobertas de Walter Hess, Porges desenvolveu métodos que extraem padrões de frequência cardíaca batimento a batimento para estudar a influência dos circuitos vagais. Durante a sua carreira acadêmica e científica (1969 até hoje), Porges publicou inúmeros estudos sobre a variabilidade da frequência cardíaca (VFC). Ao longo deste processo de desenvolvimento, uma variedade de hipóteses que investigam mecanismos neurais foram apresentadas. 

Ao medir a atividade cardíaca através do tônus vagal, Porges descobriu um novo índice de homeostase que fornece informações sobre a resposta ao estresse e a suscetibilidade ao estresse. Através dos trabalhos de pesquisa efetuados, foram desenvolvidas estratégias de identificação de processos psicológicos e métricas de VFC para utilização de diagnósticos médicos. Todo esse conhecimento adquirido foi incorporado ao modelo teórico abrangente da teoria polivagal de Porges, o qual foi apresentado pela primeira vez em 1994 e publicado em 1995.

Através de uma perspectiva neurobiológica, a teoria polivagal visa descrever conexões entre a perturbação do comportamento social espontâneo e a regulação de estados viscerais. Com este propósito, a teoria Polivagal explica, que além da ativação do sistema nervoso simpático, os processos de resposta adaptativa (com estratégias comportamentais correspondentes) são ativados por duas outras vias independentes integradas ao sistema nervoso parassimpático. Portanto, são descritos três circuitos neurais nesta teoria os quais estão integrados ao sistema nervoso autônomo produzindo respectivamente estratégias comportamentais adaptativas específicas.

ANATOMIA DO

NERVO VAGO

Brazil Vagus Nerve Anatomy.png

O SISTEMA DE ENGAJAMENTO SOCIAL,
AUTO-REGULAÇÃO
& CO-REGULAÇÃO

Engajamento_Social_Figura.png

Através dos desenvolvimentos evolutivos nas estruturas cerebrais dos mamíferos, especialmente dos primatas, tornou-se possível distinguir entre amigos e inimigos, desenvolvendo o comportamento defensivo e social. Outra consequência da expansão evolutiva e da complexidade do sistema nervoso é uma gama mais ampla de repertórios afetivos e comportamentais, capacitando assim os humanos a se expressarem emocionalmente, a se comunicarem e a se comportarem socialmente.

 

A Teoria Polivagal explica que esse processo evolutivo resultou em uma integração da via vagal ventral com outros nervos cranianos responsáveis por executar expressões faciais, movimentos da cabeça e entonações vocais, permitindo-nos sinalizar que estamos abertos a uma comunicação amigável. Esta interconexão recém-surgida descreve a evolução dos mamíferos, que Porges chama de Sistema de Engajamento Social.

 

De acordo com esta teoria, em contraste com os seus antepassados reptilianos associais, o Sistema de Engajamento Social dos mamíferos permitiu a supressão de estratégias defensivas do sistema nervoso autônomo para promover o comportamento social, possibilitando a interação neural bidirecional e a regulação de estados fisiológicos com comportamento de engajamento social espontâneo.

 

Esta integração evolutiva também permitiu que o comportamento social funcionasse como um neuromodulador, uma vez que a sociabilidade tem a capacidade de acalmar as próprias reações defensivas -auto-regulação-, bem como de enfraquecer as reações de ameaça da outra pessoa através de sinais sociais -co-regulação-. Desta maneira, enviamos sinais de segurança ou perigo uns aos outros, os quais, inconscientemente, nos encorajam ou nos desencorajam a reduzir a distância psicológica e física.

TRÊS ESTADOS NEUROFISIOLÓGICOS

TRES CIRQUITOS NEURONAIS_colorido.png

Nossa capacidade de nos conectar ou nos proteger está ligada à evolução do nosso Sistema Nervoso Autônomo (SNA). Ele age como um facilitador do nosso comportamento social, modulando como reagimos ao que nos rodeia. Esta modulação adaptativa é determinada pelo nosso senso de segurança, que de momento a momento avalia nosso ambiente de forma inconsciente, através de um processo chamado neurocepção.

Esses estados neurofisiológicos atuam de forma hierárquica e são a raiz das nossas emoções e sentimentos, desencadeando comportamentos específicos dependendo de como a neurocepção avalia o ambiente. Embora definidos como primários, eles frequentemente se combinam para criar estados híbridos, gerando um amplo espectro de reações que variam da quietude/paralisação à ação/mobilização. Desta forma, o nosso SNA molda a maneira como nos comportamos socialmente e como reagimos a desafios e mudanças.

NEUROCEPÇÃO

Neurocepcao_Figura_3.png

De acordo com a teoria polivagal, a avaliação de risco de características ambientais e viscerais é um processo neural inconsciente e involuntário, capaz de desencadear determinados mecanismos de reflexos fisiológicos. Neste processo neural de avaliação de risco, é determinado de forma reflexiva e situacional qual dos três circuitos neurais com suas estratégias comportamentais correspondentemente diferentes (mobilização, imobilização ou engajamento social) é o preferido. O centro de controle que ativa esses três circuitos neurais é denominado por Porges, neurocepção. Independente de processos conscientes, a neurocepção reconhece estímulos ambientais e classifica a situação como segura, insegura ou com risco de vida. A teoria polivagal também assume que os estímulos ambientais só são percebidos conscientemente através de reações de neurocepção, ou seja através da informação sensorial (sensação física).

 

Além da capacidade de interpretar estímulos ambientais, a neurocepção também possui a capacidade de interagir com estes estímulos. As experiências comunicadas através da sensação física, desencadeiam consequentemente um envolvimento social espontâneo ou mecanismos de defesa. Ademais, o bem-estar físico também pode ser influenciado pelo tom da voz, padrões respiratórios, postura e expressão facial. Como a teoria polivagal pressupõe uma conexão bidirecional entre o cérebro e os órgãos internos, os pensamentos também podem influenciar o nosso bem-estar físico.

 

Além de suprimir a atividade do sistema nervoso simpático ou a resposta conservadora de imobilização do núcleo vagal motor dorsal, a neurocepção de segurança (neurocepção de características ambientais e viscerais seguras) promove o sistema de engajamento social. Segundo esta teoria, o envolvimento social só é possível se a neurocepção avaliar o ambiente como seguro. Quando ocorre a neurocepção de perigo, o organismo é ativado e colocado em estado de estresse provocando uma desorganização da estrutura rítmica do sistema nervoso autônomo. Finalmente pode-se concluir que, a neurocepção está envolvida tanto na regulação da homeostase viceral quanto no sucesso do comportamento social.

BENEFÍCIOS & 

CONTRIBUIÇÕES 

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MANUAL DE INSTRUÇÕES

A Teoria Polivagal nos revela que as reações do nosso SNA funcionam como um guia, um verdadeiro manual de instruções da espécie humana. É através deste manual que começamos a compreender a razão pela qual reagimos de forma tão distinta ao detectarmos perigo ou segurança em nosso ambiente, em nossas relações e em nossas experiências de vida.

 

A LENTE POLIVAGAL

Ao ler este "manual de instruções" do nosso SNA, passamos a compreender não só as nossas próprias reações inconscientes, mas também as reações, por vezes inexplicáveis, das pessoas com quem nos relacionamos. Adquirir a "Lente Polivagal" nos permite identificar respostas adaptativas do SNA que visam a proteção e preservação do organismo.

TERAPIAS INFORMADAS PELA TEORIA POLIVAGAL

As Terapias informadas pela Teoria Polivagal nos ajudam a nutrir a sensação de segurança, para aumentar a flexibilidade neurofisiológica e consequentemente, a resiliência e a conexão com o entorno. Compreendendo que certas reações tiveram uma função relevante no passado, mas que talvez não sejam mais adequadas à situação de vida atual e que podemos viver de forma mais leve e equilibrada.

ESTIMULAÇÃO DO NERVO VAGO PARA A RESILIÊNCIA 

Dentre muitas outras metodologias informadas pela Teoria Polivagal e focadas na estimulação do Nervo Vago para alcançar conexão, resiliência e bem-estar, esta teoria também é implementada nas diferentes áreas da educação e gestão e é uma referência na área da psicotraumatologia, oferecendo um novo entendimento para o tratamento do trauma.

TRILHA DE APRENDIZADO DA TEORIA POLIVAGAL

O Instituto Polivagal Brasileiro tem a missão de difundir este conhecimento teórico científico e prático da Teoria Polivagal no Brasil, em parceria exclusiva com o Polyvagal Institute (PVI), fundado por Dr. Stephen Porges. Em nossa plataforma de ensino, você encontra cursos ministrados pelo próprio criador da Teoria Polivagal e palestrantes de renome com foco em práticas salutogênicas baseadas nesta teoria.

INSTITUTO POLIVAGAL BRASILEIRO

Se você tem interesse em dominar a Neurociência da Conexão e Segurança e adquirir a Lente Polivagal desvendando o manual de instruções do SNA para conquistar resiliência e bem-estar, convidamos você a conhecer os cursos do Instituto Polivagal Brasileiro, onde você aprende diretamente com a fonte primária relacionada a Teoria Polivagal.

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Parceiro oficial do Polyvagal Institute

Fundado por Stephen Porges, o criador da Teoria Polivagal

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